Textos

Marinho e Vermelho.

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A vida é um acontecimento que merece ser comemorado. A cada dia, a cada instante, ela se renova generosa nos pequenos espaços. A vida é miúda, feita de pequenas partes. Viver é construir um mosaico, parte por parte, dia após dia. A beleza de um momento unida à tristeza de outras horas passa a ocupar o mesmo espaço no quadro. As cores se misturam e se arquitetam em busca da harmonia tão desejada. Há dias em que as cores são frias… a vida pede calma, silêncio, pausas… Há dias em que as cores são quentes… a vida rompe com toda forma de calma… Não suportaríamos permanecer em um só lado dessas possibilidades. O que nos torna felizes é justamente a dinâmica que nos envolve com suas eternas variações. A vida é semelhante à trama dos teares. Fios se entrelaçam para construirem juntos o mesmo tecido. A diferença das cores é que garante a beleza final do tecido… Hoje eu não sei qual é a cor da sua vida. A minha é marinho. Não é alegre, nem triste. Espero pelo dia em que será vermelho. Espero que seja breve. O marinho, lado a lado com o vermelho torna-se capaz de expressar uma profundidade que sozinho ele não é capaz de demonstrar. Ninguém pode saber o que é a felicidade, se ainda não tiver passado pela decepção. Só pode saborear bem a vitória aquele que já sentiu o amargo da derrota. O avesso é repleto de ensinamentos, a vida também. Levante a cabeça seleção brasileira vocês fizeram o que podiam. Não se culpem no esporte existe as variáveis e temos que aprender com elas. FORÇA E HONRA.

Essa foi a mensagem que Anderson Silva postou em uma rede social, pouco depois da derrota da seleção brasileira. Enquanto isso, David Luiz, com lágrimas nos olhos dava uma entrevista. E disse o seguinte: “Eu só queria poder dar uma alegria para o povo, para minha gente que sofre por tantas coisas. Infelizmente não conseguimos. Desculpa a todos os brasileiros. Só queria ver meu povo sorrir.” Logo depois, Felipão assumiu totalmente a culpa e afirmou ser responsável pelo resultado.

E vocês querem saber a verdade? Eles me representam. O time e a torcida. A segunda por ter vibrado mesmo com o resultado vergonhoso, por ter gritado e apoiado a seleção mesmo quando seus olhos estavam cheios de lágrimas e o coração apertado. Por acreditarem que ainda era possível, que eramos capazes. Já os jogadores me representam pois continuaram com garra, correram como se estivéssemos com o placar zerado, lutaram mesmo quando as forças estavam esgotadas e mostraram que um filho do Brasil realmente não foge das lutas. No segundo tempo entraram renovados, com esperança, com amor a camisa e um dever para cumprir por nós, torcedores.

O problema é que atualmente tudo é descartável. Acaba a festa e todos os pratos e copos de plástico são jogados no lixo, tornam-se inúteis. No jogo contra o Chile, Julio César pegou dois pênaltis e se tornou um herói. Felipão continuava sendo um ótimo treinador e a seleção era motivo de orgulho a todos. O povo se uniu, sentiram-se mais do que satisfeitos com o que viram. Um jogo depois os comentários continuavam positivos. Todos sonhavam com o hexa. E agora? Em um jogo, onde tudo estava conspirando a favor da Alemanha, grande parte do país voltou a criticar, esquecendo-se do que aconteceu antes, deixando para lá os degraus que foram necessários subir para chegar a essa partida. Alguém tinha que ganhar e por “dez minutos de apagão”, como alguns denominaram, esse “alguém” não fomos nós.

Desde o início da Copa, haviam muitos brasileiros torcendo contra o próprio país, trocando o nosso manto por um qualquer, sem ao menos conhecer a história do outro. Sem jamais ter pisado nas terras, sem saber se eram merecedores. Não vi nenhum torcer contra, com argumentos relevantes. Esses abraçaram o desconhecido, admiraram, ou melhor, idolatraram um país por acharem que era melhor do que o Brasil. E desejo-os uma bela viagem, sem volta, ao destino adorado. Repito, sem volta, pois há tanta fantasia em suas mentes, que ao chegarem lá sentirão saudade. E, infelizmente tarde demais, valorizariam o nosso cantinho no planeta. Eu me orgulho da nossa nação e quanto aos falsos brasileiros eu apenas lamento, porque não merecem o chão onde pisam!

É fácil gostar quando tudo é um mar de rosas, não é? É fácil apoiar o evento da FIFA em nossa casa enquanto ainda estamos participando da festa. É muito simples querer reembolsar todo o dinheiro investido e converte-lo em hospitais, quando já sabemos do final da história. Também é simples apontar a corrupção do governo. Difícil é levantar e fazer algo para mudar. Difícil é dar a cara a tapa e lutar para um país melhor. Falam, falam mas continuam do mesmo jeito. Quer um um mundo melhor? Seja melhor. Quer um Brasil honesto? Seja um brasileiro honesto. Não há progresso sem ordem. Contos de fadas não existem, se você quer um final feliz então faça por merecer.

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2 comentários em “Marinho e Vermelho.

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